Skateboard, esporte Olímpico?

 

Esse debate vem se intensificando nos últimos anos e tenho certa dificuldade de ter uma posição 100% certa sobre o assunto. Ser um esporte é uma conquista sem precedentes no skate. Mas skatista não é atleta, na verdade não se exige essa condição do porte atlético, da disciplina de treino nem a limitação de idade. Skatistas começam cada vez mais cedo e a "aposentadoria" vai se prorrogando para além dos 60 anos. Ter um comportamento, atitude e regime  (treinos e alimentação) de um atleta é a melhor escolha para qualquer pessoa, independente do esporte, ou se a prática esportiva está mais ligada à saúde que a competição.
Não é preciso começar cedo, você pode ter 50 anos e nunca ter subido em um skate e em um ano ou dois estar fazendo manobras. Sua altura, peso ou condição social também não é eliminatória se você tem vontade de aprender. Eu voltei andar de skate com mais de 30 kg acima do meu peso, e acima dos 30 anos.
Das modalidades, talvez a mais próxima de uma competição olímpica seja o Freestyle e ao mesmo tempo a mais distante. Simplesmente não se pode obrigar o que é livre "free"- com movimentos obrigatórios para obtenção de pontos ou sequer criar um método para pontuar qualuquer manobra. É uma avaliação subjetiva, pessoal e motivada mais pelo gosto pessoal que pela técnica. Isso se aplica a qualquer modalidade do skate. Temos alguns eventos considerados "olimpíadas radicais" mas não possuem as características reais de uma olimpíada.
Não sou contra, uma vez que poderíamos nos apresentar como esporte de demonstração e levar os esportes radicais para um público diferenciado. As opções mais óbvias seriam o Downhill Slalom que não requer porte atlético, mas depende de uma disciplina e técnica apuradíssimas. Talvez o Downhill Speed, uma vez que o Luge já está presente nas olimpíadas de inverno e para essas duas modalidades não há pontuação, só a obtenção de tempos e descontos por faltas.

 

 

Me lembro há alguns anos quando fomos participar de um teste para o "Cirque du Soleil". Era uma oportunidade de entrar para o mais rigoroso, famoso e bem estruturado circo do mundo. Em caso de admissão, seria um profissão rígida, à prova de falhas com treinamento diário intensivo, acompanhamento nutricional e de toda a produção. Infelizmente esse sonho estava distante da nossa realidade, ainda que o Primo Desiderio e sua esposa Diane tenham feito apresentações durante anos no "Sea World" e até no Beto Carreiro. Não se trata de trazer o malabarismo para o Freestyle, mas levar a modalidade ao público em várias formas com o objetivo comum de entreter e conquistar as crianças.

 

 

Muitas pessoas entendem a importância de uma demo, onde quer que seja. Uma demonstração no flat de um half pipe, em um stand, no piso limitado e encerado de um programa de TV, dentro de uma loja, na calçada ou no asfalto, ainda que não seja a condição ideal, é o que permite o freestyle e uma das formas de divulgar o skate. Não é uma questão simplesmente de versatilidade ou das possibilidades de realizar manobras em qualquer lugar, mas do empenho em levar essa forma de skate a todos os lugares e aos mais diferentes espectadores.
Uma visão diferenciada de uma demo pode ter acontecido há alguns anos quando skatistas começaram a misturar manobras de street e freestyle. De certa forma é uma afirmação errada, uma vez que o street "moderno" combina no flat a maioria das manobras que foram criadas no Freestyle nos anos 80, mas o que eu me refiro são à manobras mais distantes do street; bananeiras, caspers, rails, 50 pogos, etc. Já aconteceu em 3 rounds entre Rodney Mullen e  Daewon Song.

 

 

Mais recentemente, superando 5 milhões de views no Youtube está Killian Martin com produções sensacionais de Brett Novak e manobras que não se imaginava ser possível nos locais ainda menos prováveis. Isso não significa que o Freestyle precise se aproximar mais dos obstáculos ou do street propriamente dito. O maior obstáculo do Freestyle é a divulgação da modalidade, o caminho para avaliar sua própria arte e o crescimento no mercado para que mais  pessoas tenham acesso, não só as manobras, mas aos materiais.

 

 

Estar presente em uma olimpíada seria fantástico? Claro! Com centenas de cameras e programas de TV do mundo todo, divulgação em todos os jornais e transmissões ao vivo é o objetivo de qualquer esporte onde temos milhões de especialistas em futebol (não falo de maneira pejorativa), mas poderíamos ter mais umas centenas de experts em nosso esporte, alguns milhões de fãs e milhares de novos praticantes. Nem vou entrar no mérito da estrutura, pistas, aeroportos, acesso, patrocínio ou qualquer outra questão relevante. Se temos décadas de tradição no futebol e tantos problemas com estádios, prefiro me manter distante dessa discussão.
Skatistas com uniforme da delegação sem seus patrocinadores? Soa estranho para mim.

E você? É a favor ou contra o skate nas Olimpíadas?

Postado em 11 de junho de 2012 ( 4 comentários! )

Comentários

  • gustav

    ja temos a x game e street league tabom
  • Clebiston NUNES

    A favor porem preservando suas caraterísticas predominante, ha como se fazer!
  • alexandre feliz

    a favor sempre espero que um dia se torne realidade
  • Mônca Bambirra

    Eu sou a favor de que o skate deveria participar como esporte olímpico. Você faz todo tipo de exercício na prancha?! Eu sou a favor sim!

Deixe seu comentário

Nome
E-mail
Comentários